Postagens

O Rio de Villa-Lobos

Villa-Lobos foi sem dúvida o maior compositor brasiliano, infelizmente seu trabalho é mais valorizado no exterior que no próprio Brasil. O Brasil vive o auge da imbecilização cultural,  a massificação de uma cultura alienante é tácita e proposital. Se procurarmos os estilos musicais que mais fazem sucesso enconraremos o pagode, o samba, o funk e por ai vai. É bem verdade que alguns estilos populares demonstram bom acabamento musical tendo como exemplos a bossa nova, a música de alguns compositores como Chico Buarque e até mesmos ritmos populares bem elaborados como o choro .  Apesar dessa digressão minha intenção original é escrever postagens sobre a trajetória de Villa-Lobos e como seu estilo e genialidade única modificaram completamente o conceito musical de sua era. Vou começar com o ambiente cultural onde Villa nasceu e sugou a essência para depois transformar em melodias com um caráter nacional nunca dantes visto. Não pretendo esgotar este assunto nesta postagem e pretendo escreve...

Um pouco de música - Villa-Lobos

Comecei a escrever esta postagem, mas não terminei. Estou querendo desvencilhar-me um pouco desta realidade calhorda e mediocrizante em que vivemos, por esta razão resolvi ler a biografia e ouvir a obra Villa-Lobos. Achei que iria ser uma tarefa simples e que encontraria livros em qualquer livraria e CDs sem dificuldades, grande engano. Apesar de ser o maior compositor brasileiro (em todos os sentidos) e tendo feito enorme sucesso no exterior, não encontrei sequer uma biografia decente e muito menos um CD. Eu parti para caminhos alternativos, ou seja, sebos e repositórios de arquvos mp3 na internet. Encontrei uma biografia muito fraca e várias músicas gravadas por orquestras ou intérpretes estrangeiros, se não me engano não há uma versão nacional atual para a obra de Villa. Mais um vexame nacional! Há também um filme biográfico de 2001 com Marcos Palmeira (Villa jovem) e Antônio Fagundes (Villa maduro) que é interessante, mas um pouco confuso. Ainda não consegui visitar o museu em Bot...

O Rio de Janeiro Roleta Russa

Fui assaltado, finalmente aconteceu comigo o que já vem sendo registrado com outras pessoas próximas. Chegou a minha vez. É assim que se vive hoje nesta cidade, esperando que chega a vez de ser assaltado ou sofrer alguma violência direta. O pior é que meu filho estava no carro e diante das inúmeras histórias envolvendo crianças nestes últimos anos pode-se perfeitamente se avaliar como eu me senti. Mas vivemos em uma cidade roleta russa, onde estamos esperando simplesmente chegar a nossa vez. O Rio de Janeiro encontra-se submerso num lodaçal de corrupção e banditagem. Temos que retirar a palavra marginal do dicionário, os bandidos estão infiltrados em todas as instituições, vestindo togas, legislando, administrando e governando. Onde esse estado de coisas vai nos levar? simplesmente na nossa vez de sofrer não uma, mas inúmeras violências, até quando nos permitam sair vivos. Outro ponto é a violência indireta, esta sim mais pernciosa, infiltra-se no nosso subconsciente, nos fazendo m...

São Sebastião - Fim após 119 anos

O Hospital de São Sebastião foi inaugurado aos 09 dias do mês de novembro de 1889 por SMI D. Pedro II, seis dias depois foi extinta a monarquia no Brasil. Assim nasceu o São Sebastião. Nos seus primórdios foi considerado um hospital de ponta, preparado para atender as doenças mais temidas pela população como a febre amarela. Este nosocômio foi criado para isso, socorrer a população em épocas de epidemia. Sua proximidade com a zona portuária e por distanciar-se do centro da capital tornaram a Quinta do Caju o local ideal para edificação deste nobre propósito. O terreno foi adquirido pelo governo em um leilão de uma antiga propriedade (a sede desta permanece na entrada do terreno). Lá foram construídos os pavilhões com modernas técnicas de exaustão e isolamento tendo em vista os conceitos difundidos à época. A inauguração deste hospital talvez tenha sido a medida mais inovadora do então governo de D. Pedro II. No decorrer dos anos e apesar da modernização das técnicas diagnósticas o Hos...

Pausa forçada

Para os minguados leitores do meu blog (eu, minha esposa quando lembrada e meu filho quando souber ler) informo que a inserção de postagens foi interrompida, pois estou na fase final de elaboração de minha tese de doutorado. Em breve novos artigos.

Destruição do Rio II : O Dengue

Continuando a postagem anterior sobre a destruição do Rio de Janeiro não posso deixar de comentar sobre esta epidemia absurda de dengue. Hoje sinto-me como estivesse no século retrasado quando as epidemias grassavam e que causavam um enorme estrago econômico e social, só que há uma diferença. Naqueles idos tempos o conhecimento acerca das doenças era parvo e incapaz de explicar os mecanismos de transmissão, portanto as medidas de controle eram ridículas e ineficientes. Vivemos numa era em que se conhece até as proteínas da cápsula do vírus da dengue, onde todos os mecanismos de transmissão são conhecidos e que as medidas de controle são altamente eficazes. O que pode estar ocorrendo? São vários fatores possíveis, mas no meu ponto de vista somente um teria o poder de impedir a conjunção de todos, o que propicia a ruptura de um limiar epidêmico: o descaso e a incompetência das esferas de governo. Vamos discutir alguns fatores que propiciaram a formação da atual epidemia (e das passada...

Destruição do Rio de Janeiro

Hoje eu fui visitar uma exposição das fotografias dos filhos de Marc Ferrez no CCBB. É sempre desalentador ver lugares como a lagoa Rodrigo de Freitas, praias de Ipanema e Copacabana e a Barra da Tijuca em seus estados primitivos, ainda intocadas pelas mãos do progresso. Eram lugares paradisíacos, acredito que a beleza destes lugares era ímpar, é entristecedor. Outra ação devastadora na nossa cidade foi contra a baia da Guanabara, totalmente deformada e aviltada com os soterros. O desmonte do morro do castelo e a construção da av. Pres. Vargas também causaram uma perda irremediável ao patrimônio cultural da cidade. Foi no morro do Castello que se iniciou a fundação da cidade, com o complexo jesuíta e o convento dos capuchinhos. Quando vou nestas exposições de fotografias antigas do Rio eu saio com um sentimento misto de decepção e estupefação, o primeiro pela destruição e o segundo pela beleza do que foi o Rio de Janeiro.