Páginas

quarta-feira, abril 02, 2008

Destruição do Rio II : O Dengue

Continuando a postagem anterior sobre a destruição do Rio de Janeiro não posso deixar de comentar sobre esta epidemia absurda de dengue. Hoje sinto-me como estivesse no século retrasado quando as epidemias grassavam e que causavam um enorme estrago econômico e social, só que há uma diferença. Naqueles idos tempos o conhecimento acerca das doenças era parvo e incapaz de explicar os mecanismos de transmissão, portanto as medidas de controle eram ridículas e ineficientes. Vivemos numa era em que se conhece até as proteínas da cápsula do vírus da dengue, onde todos os mecanismos de transmissão são conhecidos e que as medidas de controle são altamente eficazes. O que pode estar ocorrendo? São vários fatores possíveis, mas no meu ponto de vista somente um teria o poder de impedir a conjunção de todos, o que propicia a ruptura de um limiar epidêmico: o descaso e a incompetência das esferas de governo. Vamos discutir alguns fatores que propiciaram a formação da atual epidemia (e das passadas também):

1-Retorno do vetor para os centros urbanos: o mosquito já estava erradicado do Brasil desde a década de 30, quando era o principal vetor da febre amarela, grande mazela que grassava desde o período colonial. Num esforço que se iniciou com as campanhas de Oswaldo Cruz e terminou com o reforço da Fundação Rockeffeler. Quem permitiu o retorno desta praga para o Brasil? A resposta é muito fácil: a autoridades que pagamos e que deveriam exercer o papel delas monitorando e agindo de maneira enérgica o mais rapidamente.
2-Adaptação do vetor ao ambiente urbano: o Aedes é um mosquito cujo habitat é urbano, muito bem adaptado a estas condições, todavia a adaptação no Brasil e, principalmente nos grandes centros, foi extremamente eficaz. Nos últimos 60 anos vivemos uma intensa urbanização da população brasileira, hoje mais de 80 % da população vive em um grande centro. Não houve investimentos governamentais e nem a iniciativa de se organizar o boom urbano, as condições dos domicilios nas regiões de favelas e na periferia das regiões metropolitanas é lastimável, muito lixo, desequilíbrio ambiental e descaso. Nos locais mais privilegiados também não se investiu em esgotamento sanitário e preservação do meio ambiente. De quem é a culpa? Quem é reposável pela preservação da propriedade (no caso de invasões) e da organização e infra-estrutura do espaço urbano? Para quem pagamos IPTU?
3-A industrialização vertiginosa do Brasil permitiu a substituição de vários utencílios que antes eram biodegradáveis e que passaram a entulhar os lixões e as ruas mal conservadas. Garrafas PET, pneus, vidros dos mais diversos, sacos plásticos etc. Todos estes materias podem ser potencialmente focos de reprodução do vetor. Quem deveria organizar e gerir os resíduos urbanos?
4-A educação do povo anda de uma maneira geral sofrível, e sem conhecimento sobre a gravidade e a maneira de se combater o vetor a tendência é ser permissivo e irresponsável. A educação é função do estado.
5-A demagogia: a última grande epidemia se deu a época do fim do mandato do FHC (2002), foi uma vergonha, muito se discutiu, no Rio até lançador de chamas foi comprado pelo garotinho. O prefeito era o César Maia que criou uma enorme polêmica sobre carros cedidos pelo MS. A epidemia passo, como é natural e de se esperar, toda epidemia tem um fim com o esgotamento dos suscetíveis, é sua história natural, esta epidemia também vai acabar. Quando o lula entrou no ano seguinte ele alardeu na mídia(ainda guardo a propaganda) que graças ao seu governo o dengue tinha sua incidência em mais de 80 % reduzida. Mentira, engodo. Isso faz com que as pessoas se acomodem, o certo seria dizer que houve uma redução dos casos não graças às medidas tomadas mais sim por que isto iria acontecer naturalmente e que a população deveria agir mais intensamente, assim como o governo, para que uma nova epidemia não se repetisse. Esse governo é o mais demagogo da história.

Todos estes fatores são diretamente ligados a ações governamentais, e se somente um deles estivesse ausente uma epidemia seria altamente improvável. O que vivemos hoje é a conseqüencia de longos anos de administrações incompetentes e negligentes. A epidemia de dengue é um fenômeno comparável ao da violência, tem as mesmas origens. E a pergunta final: quando poderemos afirmar que não vai haver mais epidemias ? Essa pergunta tem uma reposta clara: vai demorar muito, esta não será a última e nem a mais grave, outras virão muito piores. Não existe PAC que mude isso, só uma revolução.

Um comentário:

vitor disse...

Concordo com o seu pensamento,tente consertar isto de outra maneira,procure ser a pessoa que toma as decisões,você tem capacidade para tal, vá em frente.