Postagens

D. Pedro II, o Imperador presidente.

Eu ia tentar elaborar um título contrastando as qualidades do nosso admirado Imperador com o  atual presidente da republiqueta em que vivemos hoje, mas percebi que seria impossível realizar tal contraste. O abismo é por demais profundo, e realizar este contraste seria conspurcar a memória do  egrégio estadista que foi D. Pedro II. Esta breve introdução foi para comentar a reportagem da revista veja (edição de 28 de abril de 2010), a Razão nos Trópicos. Quem se interessou pela biografia de Pedro d`Alcantâra, pôde verificar como sua educação foi planejada para que ele fosse um monarca esclarecido e ciente de suas obrigações para o com o País que um dia governou. Dentre as inúmeras lições, ele aprendeu a ser bom, sustentar o justo e a temer a Deus. A reportagem tinha o desiderato de anunciar que as inúmeras cartas de D. Pedro II aos intelectuais da época vão ser digitalizadas e colacadas na internet para consulta pública. É interessante como nosso monarca era desenvolto em vári...

21 de abril de 1960

Vou escrever esta postagem como um carioca saudoso, ou quase saudoso, pois não conheci o Rio na sua fase áurea. Eu me enquadro na definição de carioca feita por Eduardo Paes (atual prefeito do Rio): "sou de uma geração que não conheceu o Rio como cidade maravilhosa". Enfim, a postagem não é sobre isso, somente utilizo este parágrafo para justificar as palavras que se seguirão. O dia em que se comemora a inauguração de Brasília também é o dia em que o Rio perdeu seu status de capital depois de mais de 200 anos. O Rio foi capital do vice reino, depois capital do Reino do Brasil, Portugal e Algarves, capital do Império do Brasil e por fim capital da malfadada República Federativa do Brasil (inicialmente Estados Unidos do Brazil). O que representou esta perda para a cidade? Na maioria dos livros que li sobre o assunto todos os autores toam em uníssono: que este é o tipo de história que não dá para se especular, i.e a história que nunca aconteceu. Mas como dito no primeiro parág...

Lacerda e a Guanabara

Carlos Lacerda foi o primeiro governador do estado da Guanabara de 1961 a 1965 (hoje cidade do Rio de Janeiro após fusão com o estado de mesmo nome em 1975). Há um enorme esquecimento sobre quem foi ele e o que ele fez como administrador, Lacerda tinha o discurso afiado e antes de ser governador, como deputado federal, fez oposição atroz a transferência para Brasília da capital federal (tanto é que batizaram os pés de vento que de vez em quando se formam no cerrado de lacerdinhas). No seu discurso de posse disse que mesmo se não o deixassem construir as escolas, estradas etc, nada o impediria de transformar o governo numa fogueira para queimar os castelos dos políticos corruptos. Lacerda foi um administrador exemplar e deixou um legado de obras ancilares para a cidade, como o aterro do flamengo, os túneis Rebouças e o Santa Bárbara, a adutora do Guandú, inúmeras escolas e postos de saúde e a transferência da população favelada para bairros decentes (hoje degenerados). Mas há mais sobr...

Quer conhecer uma pessoa? dê-lhe um cargo de chefia.

Todos têm a impressão que indivíduos que recebem um cargo de chefia ou que ascendiam socialmente se modificam, para pior. Agora comprouvou-se, através de um estudo comportamental feito por uma escola de negócios americana, que "o poder revela quem somos". O poder faz com que as pessoas se sintam acima de qualquer convenção e que isso os faz acreditar que não devam ser tratados como os demais, esse comportamento os levam a trapacear mais e quando são pegos apresentam justificativas psicológicas, de acordo com o responsável pela pesquisa. O pior de tudo é a hipocrisia que faz os poderosos condenarem nos outros o que fazem sem constrangimentos. A solução para inibir este comportamento é o compartilhamneto do poder, o problema, a exemplo do nosso Distrito Federal, é que quem deveria controlar também age da mesma forma.  Tirei esses comentários de uma entrevista com Adam Galinsky da Escola de Gestão da Kellog publicada na revista época desta semana (08 de março de 2010).

Impressões candangas sobre o Rio de Janeiro

Após 1 ano de me tornado um cidadão brasiliense (isso porque fui para Brasília com a intenção de fixar raízes), posso analisar alguns contrastes que, quando habitava no Rio, não notava. O ser humano tem uma incrível capacidade de se adptar as coisas, boas ou ruins, e este é o caso do carioca. Apesar de viver numa cidade realmente cosmopolita e com uma geografia e história ímpares, o carioca convive com situações no mínimo estranhas, e incrivelmente se acostuma a elas. Confesso que perambulei pela minha cidade natal com certa estranheza. Os cidadãos convivem com a balburdia de maneira completamente familiar, ninguém se importa em não parar ao sinal vermelho, ou parar em cima da faixa de pedestre. Estacionamento em local proibido nem se fala, é o mundo da gambiarra. Talvez o Rio seja a cidade brasileira mais paradigmática deste status. É claro que este é um fato nacional, mas em nenhum lugar faz tão parte da cultura quanto no Rio de Janeiro. Parece que o novo prefeito vem se esforçando ...

Mudanças

Fiz algumas mudanças no blog. Mudei o link para www.garritus.blogspot.com, garritus signifca tagarelar, palrear em latim. Acho que é isso mesmo que eu faço aqui. Com isso o blog ficou menos pessoal e mais ligado ao conteúdo que pretende-se publicar.

Exposição 50 anos da morte de Villa-Lobos

Estive no Rio em novembro para visitar meus pais e não pude deixar de ir numa exposição sobre Villa-Lobos no Arquivo Nacional (Campo da Aclamação ou Sant'anna). Como esperado estava deserta, cheguei às 9:00 h (hora de abertura) de um sábado e fui o primeiro a chegar. A exposição correlacionou a vida de Villa e sua obra com os diversos períodos históricos em que este viveu. Foi muito boa, principalmente os cenários montados no térreo simulando um trenzinho caipira e a mata amazônica, tudo que serviu de inspiração para Villa compor suas obras. O mais impressioanente é a originalidade das composições, e o mais ainda é o ostracismo a que foi relegado tão preciosa obra. Ah, esqueci que hoje o que faz sucesso são "hits" como "minha éguinha pocotó" ou música sertaneja e baiana. Pobre Brasil.